domingo, 29 de agosto de 2010

Eu sinto falta
De tudo que não tive
De tudo que não sou

domingo, 22 de agosto de 2010

Verdade

Há de se dizer a verdade pelo único fato de ser verdade?

E quantas verdades diferentes terei que dizer para chegar em um pingo do que foi a realidade?

É necessário que eu aceite a imperfectibilidade da vida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Entre ficar sozinha comigo mesma e ficar sozinha na presença de alguém, talvez prefira a solidão absoluta. Mais espaço, menos ilusão.

domingo, 15 de agosto de 2010

Entre nós dois

Entre nós dois foi sempre assim:
Cama, sangue, lençóis sujos
Tesão, tensão e contradição

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Com você

Com você,
É a serenidade
E a cor
E o papel,
A sinceridade,
O natural,
O habitual

Com você,
São lindas
Paisagens
Mesmo que
Escuras
Disformes
Alteradas

Com você
É o cotidiano
O riso
É o tempo
Que passa
Diferente
É o tempo
Do nosso tempo

Com você,
A tranquilidade,
A harmonia
O entendimento

Com você,
A música
A voz
A parceria
A simplicidade
A vontade
A liberdade

Com você
É inesquecível
É breve
É intenso
É o novvo
É cotidiano
É descoberto
É descoberta
É a eterna
SINTONIA.


Dedicado a Liv.

sábado, 24 de julho de 2010

Cantar

Eu chorei, esperneei, me dopei, me anestesiei, vivi normalmente, como um robô que segue seu script diário. Me apaixonei, me desapaixonei? Nunca se consegue esquecer.

Eu quis estar em grupo, tentando espantar a solidão. Mas mesmo em grupo, ainda há a solidão. Mas encontrei amigos. Sim, encontrei amigos!Olha só, ainda posso encontrar amigos! De que adianta querer ser profunda, reflexiva, se são só pistas, e tudo está fora da jurisdição.

Preciso de calma. De estar junto a mim, de estar junto de meus amigos. De rir com meus amigos.

Eu ri , eu quis rir. Trancafiada quis rir. Eu cantei para mim como o pássaro engaiolado canta. Ele canta não é para quem o engaiola, mas para tentar se distrair de sua prisão.Ele canta para ser feliz. Mas ele é feliz?

Hoje estou muda? Deveria cantar mais.
Cantar para se libertar! Desenhar o horizonte, as montanhas, tão fantasmagoricamente belas.

Juntar os cacos. Sempre. E viver, e cantar, e se libertar.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Nasci um olho ambulante, mas só descobri que nasci quando minhas mãos reconheceram meu próprio corpo.

Minhas mãos são minha consciência, aquilo que possuí o potencial de formar algo concreto, portal para a materialidade.Com elas, eu entro em contato com o mundo e ele entra em contato comigo.

O primeiro cumprimento é o encontro de minha mão com sua mão, com seu ombro, com seu ser. Ela diz tudo, ao mesmo tempo que não diz nada. A mão indica desejos, dá pistas de nervosismo, responde ao medo, indica empolgação, demonstra abertura, declara fechamento, responde, responde e fala, dialoga, acompanha, faz declarações, tudo em silêncio.

Minhas mãos são meu livro aberto para o mundo, ponte para o outro, instrumento que carrego para conhecer e reconhecer. Elas estão de tal forma incrustadas nos meus dias que não as percebo. Mas basta um momento tocando uma a outra, deslizando sobre os objetos que me circundam para perceber a riqueza, toda a riqueza que ignoro na penumbra do que é habitual.

Olho para sua silhueta repleta de falanges e linhas. Essas linhas que carregam minha identidade na ponta de cada dedo, essas linhas que marcam minha palma e segredam meu passado e meu futuro.

Meu passado aparece nos calos, calos dos que carregam o lápis na mão desde que aprenderam a segurar um. E lápis para desenhar e escrever, para descrever, orientar, para pensar e rabiscar. Com a ponta do lápis descrevo e absorvo o que está à minha volta. Impossível saber se o contato funciona de fora para dentro ou de dentro para fora.

Mas a maior parte do passado está escondida na capa invisível das lembranças. Só eu sei onde essas mãos já passaram e como passaram. Quantas tintas, cadernos, livros e canetas ja manusearam, quantas pessoas já tocaram e acariciaram, quantas vidas já envoltou, abraçou, quantos objetos já reconheceu no escuro, quanto já me ajudou, em silêncio e objetivamente, essas mãos que agora olho.