Estava no colegial. Minha professora de Educação Artística organizara uma excursão para visitar a exposição temporária do Museu Vale do Rio Doce.
No ônibus fretado, a turma cantou músicas animadas para o entrosamento, algo relacionado ao roubo do pão na casa de um tal de João, até a chegada no local.
Na época, eu rabiscava muito durante as aulas. Desenhava, principalmente, personagens imaginários na contracapa dos cadernos. Todos contextualizados em histórias fantasiosas e mirabolantes de minha autoria.
Não pensava muito no conceito de arte. Mas, de acordo com minhas práticas, se relacionava à expressão de um sentimento ou sensação referentes a algum personagem de enredo específico. Mal sabia eu o quanto a exposição ampliaria meus horizontes.
Estava um dia quente, muito ensolarado. Enquanto nos acotovelávamos em uma fila idealmente reta, esperávamos a monitora para o acompanhamento na exposição. A professora deve ter introduzido algo sobre o artista e sua trajetória, não lembro muito bem.
Entramos em uma sala escura. Total negridão. Não sei se a falta de luz se fez sentir com mais intensidade pelo contraste entre os ambientes. Mas eu não esperava, absolutamente, aquela ausência toda. Na minha cabeça não fazia sentido uma exposição em lugar mal iluminado, esconder as obras para quê?
Então, quando os olhos começaram a se acostumar com o ambiente interno, comecei a perceber vários pontos luminosos vermelhos, quase como se uma nave espacial ou algo do gênero tivesse se instalado no meio da sala. Era grande, ia até o teto, ou assim eu pensava, já que na época não era lá uma pessoa muito alta.
O chiado, quando entramos no ambiente , era um tanto incômodo. Não podia distinguir um som de outro, era a sensação de ter entrado em uma sala em que todos começassem a falar ao mesmo tempo e a fazer sons distintos e isso se transformasse em um zumbido disforme e ininterrupto.
Cheguei mais perto, e só então pude perceber que não era uma nave, mas sim uma torre constituída de inúmeros rádios, alguns pareciam bem velhos, outros nem tanto. Enquanto eu contornava a torre radiofônica, dependendo da distância entre eu e as fontes sonoras, conseguia distinguir algumas músicas, ou vozes de interlocutores em seus programas matinais, ou, as vezes, somente chiados.
Foi quando recebi a informação de que a obra se chamava “Torre de Babel”. A partir desse momento, as sensações e as associações se misturaram em minha cabeça. Enquanto via o resto da exposição, uma parte de minha mente continuava refletindo o significado de tudo aquilo.
Foi a primeira vez que tive a sensação física de estar dentro de uma obra. E o mais impressionante foi que não se limitou às sensações auditivas, visuais e espaciais, mas aqueles minutos conseguiram ser prolongados tanto pela minha imaginação quanto por minhas reflexões. Foi como testemunhar uma indagação ou um mistério, porque não cheguei a uma conclusão ou significado, mas em uma multiplicidade, sem resposta final.
A obra “Torre de Babel”, de Cildo Meirelles, foi meu primeiro contato com o que mais tarde descobri chamarem de arte contemporânea.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
A Porta
As trancas vão lenta e dolorosamente se movendo. Ela não sabe onde isso vai parar. Sente tanto medo, mas também empolgação. No peito a palpitação do novo antes dele chegar.
O estalo, o som que de tão baixinho recebe a maior atenção. O semblante tenso, os lábios apertados contra os dentes.
Um último e mais alto estalido.
Pronto! Está aberta!
Mas não basta que uma porta esteja destrancada para ser aberta. É preciso a coragem de dar o primeiro passo, e a inércia é tão sedutora...
O que está la fora já havia sido pintado tantas vezes por ela que já não sabia se devia evitar a provável maldade ou mergulhar na delícia do sonho.
Tinha medo. Mas fazia tanto tempo que ali estava, era seu lar e sua prisão. O conhecido, por pior que seja, tem lá seu aconchego. A novidade é a lâmina que roça na pele só para arrepiar a barriga.
A mão formigava, tremia porque formigava? O gesto, quase mecânico, fez os dedos delicados da menina sentirem a dureza do metal frio da maçaneta.
Nunca segundos foram tão duradouros. A cada milímetro deslizado para a esquerda era um arrepio na espinha. Os ombros e pescoço já se tensionavam à espera do pior, o coração pulava na expectativa do melhor.
Derrepente, naquele derrepente que nem ele mesmo sabe o momento certo que ocorreu, acabou-se a resistência, e só um leve empurrão já desenhou um feixe de luz geometrizado nas bordas da porta.
E o feixe foi se ampliando até se tornar o tudo que é branco existente nas folhas de papel, mas não por tempo tão prolongado. Só o suficiente para os olhos se acostumarem.
E lá estava, diante dela, o novo. Nem bom, nem ruim. Simplesmente o novo.
O estalo, o som que de tão baixinho recebe a maior atenção. O semblante tenso, os lábios apertados contra os dentes.
Um último e mais alto estalido.
Pronto! Está aberta!
Mas não basta que uma porta esteja destrancada para ser aberta. É preciso a coragem de dar o primeiro passo, e a inércia é tão sedutora...
O que está la fora já havia sido pintado tantas vezes por ela que já não sabia se devia evitar a provável maldade ou mergulhar na delícia do sonho.
Tinha medo. Mas fazia tanto tempo que ali estava, era seu lar e sua prisão. O conhecido, por pior que seja, tem lá seu aconchego. A novidade é a lâmina que roça na pele só para arrepiar a barriga.
A mão formigava, tremia porque formigava? O gesto, quase mecânico, fez os dedos delicados da menina sentirem a dureza do metal frio da maçaneta.
Nunca segundos foram tão duradouros. A cada milímetro deslizado para a esquerda era um arrepio na espinha. Os ombros e pescoço já se tensionavam à espera do pior, o coração pulava na expectativa do melhor.
Derrepente, naquele derrepente que nem ele mesmo sabe o momento certo que ocorreu, acabou-se a resistência, e só um leve empurrão já desenhou um feixe de luz geometrizado nas bordas da porta.
E o feixe foi se ampliando até se tornar o tudo que é branco existente nas folhas de papel, mas não por tempo tão prolongado. Só o suficiente para os olhos se acostumarem.
E lá estava, diante dela, o novo. Nem bom, nem ruim. Simplesmente o novo.
segunda-feira, 15 de março de 2010
O silêncio
Com todo meu silêncio
Eu grito o mais alto
Dos meus gritos
Contorno pela beira dos abismos
E desenho tudo aquilo
Que quero me tornar
O meu silêncio
É o mais alto dos cantos
A mais estupefata sirene
O mais berrante radar
A mais cruel e doce Rebeldia
A mais pecaminosa sintonia
Que teima em dançar sobre meus ouvidos
E aquele que ouve o som insuportável
Do meu silêncio
Nada mais que pó se tornará.
******************************
É o silêncio
É a pausa
Que reinam
Enquanto por dentro
O furacão arrasa.
Eu grito o mais alto
Dos meus gritos
Contorno pela beira dos abismos
E desenho tudo aquilo
Que quero me tornar
O meu silêncio
É o mais alto dos cantos
A mais estupefata sirene
O mais berrante radar
A mais cruel e doce Rebeldia
A mais pecaminosa sintonia
Que teima em dançar sobre meus ouvidos
E aquele que ouve o som insuportável
Do meu silêncio
Nada mais que pó se tornará.
******************************
É o silêncio
É a pausa
Que reinam
Enquanto por dentro
O furacão arrasa.
terça-feira, 2 de março de 2010
Nada é o bastante
Não é o bastante ser amoroso
Não é o bastante dar carinho
Não é o bastante andar com estilo
Não é o bastante dar conselhos
Ou se preocupar, se desdobrar
Ou até amar.
Amar não é o bastante.
Se a pessoa não se tem
Nada é o bastante
É só pura distração...
Não é o bastante dar carinho
Não é o bastante andar com estilo
Não é o bastante dar conselhos
Ou se preocupar, se desdobrar
Ou até amar.
Amar não é o bastante.
Se a pessoa não se tem
Nada é o bastante
É só pura distração...
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
seguir em frente
Deve-se seguir em frente, simplesmente seguir em frente.
Precisa aprender a aceitar, voltar ao normal,é necessário seguir em frente. Um pé atrás do outro, marchar em direção ao pedaço do infinito que nos cabe. Preciso deixar a teimosia de lado, buscar a flexibilidade, preciso agarrar a mudança com todas as forças para não cair, não gosto de cair, e mesmo se cair, deve-se seguir em frente, simplesmente seguir em frente.
Sem remorços, porfavor sem remorços, eles não fazem bem à saúde. Siga em frente, pare de olhar para trás...por enquanto só em frente, frente, enfrente só você enquato vai em frente, é preciso simplesmente seguir em frente.
Precisa aprender a aceitar, voltar ao normal,é necessário seguir em frente. Um pé atrás do outro, marchar em direção ao pedaço do infinito que nos cabe. Preciso deixar a teimosia de lado, buscar a flexibilidade, preciso agarrar a mudança com todas as forças para não cair, não gosto de cair, e mesmo se cair, deve-se seguir em frente, simplesmente seguir em frente.
Sem remorços, porfavor sem remorços, eles não fazem bem à saúde. Siga em frente, pare de olhar para trás...por enquanto só em frente, frente, enfrente só você enquato vai em frente, é preciso simplesmente seguir em frente.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
um grão
É preciso apenas um segundo, e o único segundo é o presente. O presente já passou e mudou o grão na sua mão. E o grão que passou já foi você, mas você é o grão que está caindo agora na sua mão, e esse grão recebe a responsabilidade de todos que já vazaram para o inferior da ampulheta.
Um só grão pode mudar a sua vida.
Um só grão pode mudar a sua vida.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Ano novo
O ano desabrocha como desabrocha esse sentimento em meu coração...
Que a lua que me olha seja também aquela a levar minha mensagem, e que o vento leve meu perfume para os caminhos mais longínquos.
A espera presente e a imaginação sempre frutificando suas delícias irreais intoxicam minha mente de esperanças difíceis de morrer. Já me acostumei, faz parte de mim.
Ao mesmo tempo a responsabilidade e as possibilidas pesam em minha balança, que sejam bem-vindos os novos dias!
Que a lua que me olha seja também aquela a levar minha mensagem, e que o vento leve meu perfume para os caminhos mais longínquos.
A espera presente e a imaginação sempre frutificando suas delícias irreais intoxicam minha mente de esperanças difíceis de morrer. Já me acostumei, faz parte de mim.
Ao mesmo tempo a responsabilidade e as possibilidas pesam em minha balança, que sejam bem-vindos os novos dias!
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